Perguntar sobre suicídio aumenta o risco? O que diz a evidência
Um receio comum
Muita gente evita tocar no assunto por medo de que a pergunta plante a ideia na cabeça da pessoa ou a empurre nessa direção. O receio é compreensível, mas a evidência aponta no sentido contrário.
O que os estudos mostram
Uma revisão publicada na Psychological Medicine em 2014 reuniu os estudos que testaram essa hipótese e não encontrou aumento de ideação suicida entre as pessoas questionadas diretamente sobre o tema.
Quem pensa em morrer costuma ficar em silêncio por outros motivos: medo do julgamento, receio de assustar quem está por perto, a sensação de ser um peso. Uma pergunta feita com calma pode abrir espaço para falar de algo que a pessoa vinha carregando sozinha.
Como perguntar
Não há uma frase certa. Pergunte com calma e de forma direta, algo como “você tem pensado em morrer?”. Perguntas cheias de rodeios deixam a pessoa sem saber se pode responder com sinceridade.
Se a resposta for sim
A reação de quem ouve passa a ser a parte mais importante da conversa. Dizer que “isso não se pensa” ou tentar convencer a pessoa de que o pensamento não faz sentido não diminui o sofrimento e ainda fecha o espaço para falar dele.
Pensamentos de morte também não devem ficar em segredo. São informação clínica e precisam chegar a um profissional, mesmo que a pessoa peça sigilo.
Você não precisa saber tratar
Seu papel é ajudar a pessoa a chegar até um profissional e continuar por perto depois disso. O vínculo com quem está em volta é o principal fator de proteção nesse período.
Se você percebeu sinais em alguém próximo, ou se é você quem tem tido esses pensamentos, procure avaliação com um profissional de saúde mental.
Referência: Dazzi T, Gribble R, Wessely S, Fear NT. Does asking about suicide and related behaviours induce suicidal ideation? What is the evidence? Psychological Medicine, 2014.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Se você está em sofrimento intenso ou pensando em se machucar, ligue 188(CVV, gratuito, 24 horas) ou procure o serviço de urgência mais próximo.
